visionários

aqui posso fazer o que quiser
aqui posso fazer o que                         podia
aqui posso fazer                                     sem agonia
aqui posso                                                      viver
aqui                                                                    alegria
a                                                                                    lérgica

                                                                                                          lírica

Igual lenda que mãe conta, sem mãe


                                              

Conheci num dia de minha vida, que me atrapalhava pelos caminhos sempre secos do Sertão. Conhecia-a sem que fosse preciso nos apresentar. Estava com sede, e com muita fome. Estava perdido, e posso me arriscar a dizer, estava morto de sede e fome. Foi quando essa moça apareceu. Não sei falar se era bonita ou não. Só sei que o movimento de seu corpo me fez lembrar água, e pensei se eu poderia bebê-la.

Pensei que iria se assustar comigo, pois pedia ajuda ajoelhado no chão puxando sua saia longa e rota. Mas com a voz mais cândida desse céu agridoce ela me disse que não podia me ajudar.

Colocou seus olhos no homem agonizante que se estendia pelo chão. 
Ele os olhou firmemente, e no fundo dele entregou a resposta. Descobriu muita água,e muita comida. De traz dos olhos dela, podia bebê-la se quisesse e possuí-la depois. E foi buscar dentro dos olhos dela esta resposta. E acabou por se afogar no deserto.

Moça Caetana ao contrário do dizem, não é má.Viver é um direito desigual, morrer um direito natural. Moça Caetana, apazígua a dor,o sofrer. Nos conforta, pois em nossa ultima visão do mundo vemos o que desejamos. E depois ela nos esquece e nós também.

Já estava decidido eu ia excluir. Excluir todos esses textos, velhos , encardidos, débeis e primitivos.
Era isso, rasgar páginas amarelas, e começar pelo começo daquilo que eu deixei de ser para ser o que futuramente espero ser...

Para desencargo, reli os textos, pobres textos, meus eu sei, me vi agora com óculos redondos,grossos igual tampa de garrafa, vinte quilos do lado esquerdo e vinte do direito. Um chá light do lado, vários livros empilhados e empoeirados. Velha mesmo, mas no bom e no mal sentido. Lendo desdenhando, cuspindo nas páginas que pariu. Orgulho? Ah que belezinha de rima, tão, tão fácil e barata. Mas eu nunca quis vender. Que importa? Quem se importa. Eu devia ter apagado tudo quando tive oportunidade.

das outras vezes também tive o mesmo problema. Não consigo, já não sou mais apenas o que fui,mas continuo sendo . Por isso não é fácil rasgar papéis, ainda mais papéis carregados, pesados, carimbados.
Sei que falo no sentido figurado, mas se fosse de outro jeito acharia chato. Acho que foi o Rubem Braga que disse que a melhor coisa é escrever quando não se tem assunto nenhum. Como agora, nenhum assunto eu tenho, igual quando dois amigos falam, falam, terminam rindo e paira aquele silêncio que não constrange porque é bem vindo.

  Agora mesmo não tenho mais nada pra falar, mas me sinto numa quase obrigação, ou melhor uma       necessidade pessoal de terminar falando sobre algum assunto por menos relevante que seja, não quero dormir sem dizer, o quanto eu queria ser feita
                                                                                    de plástico bolha, pronto é isso.

Pingo de gente

O  homem debruça na pia,
A pia molha o homem.
Quanto mais debruça mais molha.

A água desce na pia
Pinga no chão, pinga pra todo lado.
O homem fica encharcado.

De novo o homem xinga
Xinga a água, xinga a pia.
Pinga gota à gota, a pinga no copo.
No corpo, não pia , não xinga
A água arde e desce
A pia para e espia.
À medida que a pinga some
O homem assobia.

você deveria estar fazendo algo melhor

Caminho no escuro
sou filha do futuro
meu pai não me viu nascer

tempo submerso na vazão da hora
me afundo num copo de coca-cola
transbordo até virar mar
transformo areia em ampulheta
rimo um caça-palavras inteiro
encontro um anagrama verdadeiro sobre o amor
mas nem todas as estradas vão me deixar em Roma.

Eu imaginava que os campos magnéticos pudessem salvar a fome de milhares de pessoas, mas lá nem flores radio-ativas nascem. O que nasce da vaidade é uma extensão de tomadas semi-automáticas...dão choque.
Mas nossa nação. não tem noção. da imensidão. que habita.

Nadaqueen


Sou real, pois tudo que me produz é material.

Nanquim, giz. Existem. Minha força de existência é forte como uma pluma e leve como a consciência de um velho nostálgico. Tenho uma vida, inventada. Mas quem não se inventa?

Nadando no nanquim
Descubro que o fim
Não tem rima.


Para meus amigos, carentes e caretas


Ás vezes acho que vivo num circo, ás vezes acho que formei um grupo de viciados em si, ás vezes acho que tenho amigos.

O que todos tem em comum? São todos sozinhos no mundo e dentro de si. Por isso a amizade existe. Os muito altruístas que me desculpem, mas ter amigos é um ato totalmente egoísta e segregacionista. Estou falando de amigos de “verdade”, desses que passam na sua casa sem te avisar, acabam com a prateleira de doces e ainda falam que sua vida está uma merda e que você devia esquecer fulano, que você já tinha esquecido , mas foi só ele lembrar para a dor voltar. É aquele que pega uma roupa emprestada e esquece de devolver, é aquele que risca seu cd, e que fala mal de você quando você não está, claro. E fala mal de você na cara dura também, pra ver se você deixar de ser “Mané”.
Cada um dos meus amigos tem uma grande patologia. Patologia de idéias, de sentimentos, de maneiras de se viver. Só que as máscaras só caem quando estamos juntos. Por conviver com pessoas tão diferentes, aprendi sem precisar ter lido, sei de filmes sem nem precisar ter assistido, viajei sem precisar pagar nada, amei sem precisar ter medo de perder.
Meus amigos, são como olhos. Olhos que vem o mundo que eu não consigo ver sozinha. São ouvidos que não tem a mesma percepção que a minha. São bocas sedentas por atenção. Cada amigo meu tem um umbigo mais próximo do fim do mundo. E sempre sabem ouvir uma palavra esquisita: perdão.
Cada amigo meu, sabe ser surdo quando preciso gritar e falar coisas feias. Sabe me deixar irritadíssima, e eu sei irritá-los...cantando.
Desculpem, pequenos tolinhos. Não existem tantos amigos esperando por você, por aí. Amigos vem, amigos vão. Mesmo os verdadeiros. Eu sei que, uns ficam no peito, depois de você engolir as sete chaves com muita cerveja ou com muito choro. Depende de sua preferência de como se afogar em mágoas.
Agora escutem, pare de tapar os ouvido estou falando sério. É sério, não fica olhando assim se não vou começar a rir. Ah, pronto esqueci o que ia falar. Não tem importância eu sei que vocês continuaram aqui, comigo.