O homem debruça na pia,
A pia molha o homem.
Quanto mais debruça mais molha.
A água desce na pia
Pinga no chão, pinga pra todo lado.
O homem fica encharcado.
De novo o homem xinga
Xinga a água, xinga a pia.
Pinga gota à gota, a pinga no copo.
No corpo, não pia , não xinga
A água arde e desce
A pia para e espia.
À medida que a pinga some
O homem assobia.
você deveria estar fazendo algo melhor
Caminho no escuro
sou filha do futuro
meu pai não me viu nascer
tempo submerso na vazão da hora
me afundo num copo de coca-cola
transbordo até virar mar
transformo areia em ampulheta
rimo um caça-palavras inteiro
encontro um anagrama verdadeiro sobre o amor
mas nem todas as estradas vão me deixar em Roma.
Eu imaginava que os campos magnéticos pudessem salvar a fome de milhares de pessoas, mas lá nem flores radio-ativas nascem. O que nasce da vaidade é uma extensão de tomadas semi-automáticas...dão choque.
Mas nossa nação. não tem noção. da imensidão. que habita.
sou filha do futuro
meu pai não me viu nascer
tempo submerso na vazão da hora
me afundo num copo de coca-cola
transbordo até virar mar
transformo areia em ampulheta
rimo um caça-palavras inteiro
encontro um anagrama verdadeiro sobre o amor
mas nem todas as estradas vão me deixar em Roma.
Eu imaginava que os campos magnéticos pudessem salvar a fome de milhares de pessoas, mas lá nem flores radio-ativas nascem. O que nasce da vaidade é uma extensão de tomadas semi-automáticas...dão choque.
Mas nossa nação. não tem noção. da imensidão. que habita.
Nadaqueen
Sou real, pois tudo que me produz é material.
Nanquim, giz. Existem. Minha força de existência é forte
como uma pluma e leve como a consciência de um velho nostálgico. Tenho uma
vida, inventada. Mas quem não se inventa?
Nadando no nanquim
Descubro que o fim
Não tem rima.
Para meus amigos, carentes e caretas
Ás vezes acho que vivo num circo,
ás vezes acho que formei um grupo de viciados em si, ás vezes acho que tenho
amigos.
O que todos tem em comum? São
todos sozinhos no mundo e dentro de si. Por isso a amizade existe. Os muito
altruístas que me desculpem, mas ter amigos é um ato totalmente egoísta e
segregacionista. Estou falando de amigos de “verdade”, desses que passam na sua
casa sem te avisar, acabam com a prateleira de doces e ainda falam que sua vida
está uma merda e que você devia esquecer fulano, que você já tinha esquecido ,
mas foi só ele lembrar para a dor voltar. É aquele que pega uma roupa
emprestada e esquece de devolver, é aquele que risca seu cd, e que fala mal de
você quando você não está, claro. E fala mal de você na cara dura também, pra
ver se você deixar de ser “Mané”.
Cada um dos meus amigos tem uma
grande patologia. Patologia de idéias, de sentimentos, de maneiras de se viver.
Só que as máscaras só caem quando estamos juntos. Por conviver com pessoas tão
diferentes, aprendi sem precisar ter lido, sei de filmes sem nem precisar ter
assistido, viajei sem precisar pagar nada, amei sem precisar ter medo de
perder.
Meus amigos, são como olhos.
Olhos que vem o mundo que eu não consigo ver sozinha. São ouvidos que não tem a
mesma percepção que a minha. São bocas sedentas por atenção. Cada amigo meu tem
um umbigo mais próximo do fim do mundo. E sempre sabem ouvir uma palavra esquisita: perdão.
Cada amigo meu, sabe ser surdo
quando preciso gritar e falar coisas feias. Sabe me deixar irritadíssima, e eu
sei irritá-los...cantando.
Desculpem, pequenos tolinhos. Não
existem tantos amigos esperando por você, por aí. Amigos vem, amigos vão. Mesmo
os verdadeiros. Eu sei que, uns ficam no peito, depois de você engolir as sete chaves
com muita cerveja ou com muito choro. Depende de sua preferência de como se
afogar em mágoas.
Agora escutem, pare de tapar os
ouvido estou falando sério. É sério, não fica olhando assim se não vou começar
a rir. Ah, pronto esqueci o que ia falar. Não tem importância eu sei que vocês
continuaram aqui, comigo.
Roda da Vida
Era uma barriga mirrada e mal-assistida pelo
corpo magro e estreito de uma mãe sem nome, sem religião, sem nada.
Não era apenas uma, eram milhares de
mulheres-mães, brancas, negras, pardas, amarelas espalhadas pelo mundo. E aqui
não cabe perguntar quem veio primeiro: a criadora ou a criação ¿Primeiro e antes de tudo o nada existia muito
bem casado com o infinito. Mas, cansado de sua inexistência, o universo quis
nascer. Foi um parto explosivo e natural. Depois fora se transformando em planetas,
estrelas, constelações e sistemas. È essa história que as mulheres-mães contam
para seus filhos depois que nascem, e para as outras perguntar a resposta é
sempre a mesma : mistério; é do mistério que é formada a mulher-mãe.
Desses planetas, a menina
Terra abrigou a humanidade, e foi uma ótima hospedeira sem perguntar de onde
vínhamos ou quanto tempo íamos ficar.
Cada mãe, ao seu
tempo, sofreu na hora do doloroso parto. Alguns filhos não sobreviveram, uns
morreram na hora ou foram cedo, por causa das doenças e guerras. Os que ficaram criaram relações, tiveram outros
filhos, descobriram sentimento e sentidos das cócegas dos pés até o aperto no
coração, da risada prazerosa às lágrimas salgadas.
Esses meninos e
meninas deram seus primeiros passos na Terra, brincaram com as presas e pedras
e descansavam sobre qualquer sombra. Alguns problemas começaram a aparecer, a
comida era pouca e tinham medo de morrer. Pararam de usa tanto a força da mão e
começaram apensar, logo saberiam falar. E criaram-se palavras, frases, nomes,
para o que existia e o que não existia.
Cresceram as meninas
e meninos e foram se transformando, sentiam dor que não sabiam explicar, não
era dor de luto nem de fome. Era dor que permanecia a atormentar. Descobriam
que podiam ser felizes sem nada e tristes com tudo. Inventara línguas, dialetos. Expressavam todas suas
duvidas e sentimentos confusos em livros, desenhos e músicas. Sentiam-se melhor
com as pessoas que amavam. Amavam. Então, perceberam que o amor existia, mas
esse já existia desde as mulheres-mães.
Mas, logo isso
passou e tudo mudou. Eles cresceram e já
não se satisfaziam com o que antes tinham conquistado, Da dor e do amor parece
que eles esqueceram. Formaram-se tribos, chefes e fizeram inimigos, Na terra
não se plantava mais, produzia-se. Como máquinas coexistiam em nações e fronteira imaginárias. Separam-se em
hierarquias de um sistema de massa. Não perceberam que não eram máquinas, que
não podiam viver com tais. Quem vem primeiro o criador ou a criatura¿
Esqueceram que eram
hóspedes da Terra e quebraram sua janelas, acimentaram o jardim, o pomar ficou
infértil, as águas poluídas. Deixaram a louça sem lavar e queimaram o s álbuns
de fotografia, queimaram da memória a sua história e instalaram máquinas de
produzir dinheiro, tendências, relacionamentos descartáveis, filosofias baratas
e religiões descrentes.
Eram infelizes estrangeiros no próprio mundo.
Tomavam remédio para dormir, para sorrir, para amar. E nunca tinham sido tão
saudáveis.
A janela sempre está
fechada, por ela não passam balas, nem bombas atômicas, nem o sol. E os filhos
choraram em soluços para encher os pulmões de vida. A cada dia que alguém
morria sem esperança, mais uma esperança
nascia. E, assim movia-se a roda da vida.
Ana Júlia
Carvalheiro
Coraçãoborim
Música, e batida, é o meu ? É o seu? É o nosso coração que bate? Quem sente? Quem vai me ajudar com isso? O que eu faço com isso? Por favor me ajudem. Eu não sei, quando percebi já estava na minha mão. De quem é? De quem é, esse coração?
Quem bate? Quantos? Um? Dois?Milhões? Batem sozinhos num único som. Profundo, pro fundo! Agora! Se afunde. È bom , depois passa. Agora volte. Não se perca, você sempre tem que voltar. Pra onde? Pra quem? Pra quê? Um buquê não posso te dar. Me solte, não leia, não tente entender. O que ? A dor, só finge não te prender. Compreenda, respire e lamba. Reflita a marmita sempre está morna. A música é silêncio que deixou de existir, assim ,aflita, você me deixa cair.No chão , já não sou nada , não faço mais sentido. Me dê só seus sentimentos, raros, rasos, vasos quebrados. Me guarde na sua gaveta e só me tire de lá quando o terremoto passar. Quando eles já tiverem invadido, quebrado, destruído, gritando. Me deixe lá. Depois, só depois que tudo passar, me abra e me leia. Mas por favor, não se esqueça, nós vamos sempre existir. Ana Julia Carvalheiro
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