II
Pin
Tunnnnnnn
Tchitchi
Plin
Dunch
Crcrcrcr
Zannnnn
Innnn
Unnnnnnnn
(como assisti John Cage)
visionários
aqui posso fazer o que quiser
aqui posso fazer o que podia
aqui posso fazer sem agonia
aqui posso viver
aqui alegria
a lérgica
lírica
aqui posso fazer o que podia
aqui posso fazer sem agonia
aqui posso viver
aqui alegria
a lérgica
lírica
Igual lenda que mãe conta, sem mãe
Conheci num dia de minha vida, que me atrapalhava pelos
caminhos sempre secos do Sertão. Conhecia-a sem que fosse preciso nos
apresentar. Estava com sede, e com muita fome. Estava perdido, e posso me
arriscar a dizer, estava morto de sede e fome. Foi quando essa moça apareceu.
Não sei falar se era bonita ou não. Só sei que o movimento de seu corpo me fez
lembrar água, e pensei se eu poderia bebê-la.
Pensei que iria se assustar comigo, pois pedia ajuda
ajoelhado no chão puxando sua saia longa e rota. Mas com a voz mais cândida
desse céu agridoce ela me disse que não podia me ajudar.
Colocou seus olhos no homem agonizante que se estendia pelo
chão.
Ele os olhou firmemente, e no fundo dele entregou a
resposta. Descobriu muita água,e muita comida. De traz dos olhos dela, podia
bebê-la se quisesse e possuí-la depois. E foi buscar dentro dos olhos dela esta
resposta. E acabou por se afogar no deserto.
Moça Caetana ao contrário do dizem, não é má.Viver é um
direito desigual, morrer um direito natural. Moça Caetana, apazígua a dor,o
sofrer. Nos conforta, pois em nossa ultima visão do mundo vemos o que
desejamos. E depois ela nos esquece e nós também.
Já estava decidido eu ia excluir. Excluir todos esses textos, velhos , encardidos, débeis e primitivos.
Era isso, rasgar páginas amarelas, e começar pelo começo daquilo que eu deixei de ser para ser o que futuramente espero ser...
Para desencargo, reli os textos, pobres textos, meus eu sei, me vi agora com óculos redondos,grossos igual tampa de garrafa, vinte quilos do lado esquerdo e vinte do direito. Um chá light do lado, vários livros empilhados e empoeirados. Velha mesmo, mas no bom e no mal sentido. Lendo desdenhando, cuspindo nas páginas que pariu. Orgulho? Ah que belezinha de rima, tão, tão fácil e barata. Mas eu nunca quis vender. Que importa? Quem se importa. Eu devia ter apagado tudo quando tive oportunidade.
das outras vezes também tive o mesmo problema. Não consigo, já não sou mais apenas o que fui,mas continuo sendo . Por isso não é fácil rasgar papéis, ainda mais papéis carregados, pesados, carimbados.
Sei que falo no sentido figurado, mas se fosse de outro jeito acharia chato. Acho que foi o Rubem Braga que disse que a melhor coisa é escrever quando não se tem assunto nenhum. Como agora, nenhum assunto eu tenho, igual quando dois amigos falam, falam, terminam rindo e paira aquele silêncio que não constrange porque é bem vindo.
Agora mesmo não tenho mais nada pra falar, mas me sinto numa quase obrigação, ou melhor uma necessidade pessoal de terminar falando sobre algum assunto por menos relevante que seja, não quero dormir sem dizer, o quanto eu queria ser feita
de plástico bolha, pronto é isso.
Era isso, rasgar páginas amarelas, e começar pelo começo daquilo que eu deixei de ser para ser o que futuramente espero ser...
Para desencargo, reli os textos, pobres textos, meus eu sei, me vi agora com óculos redondos,grossos igual tampa de garrafa, vinte quilos do lado esquerdo e vinte do direito. Um chá light do lado, vários livros empilhados e empoeirados. Velha mesmo, mas no bom e no mal sentido. Lendo desdenhando, cuspindo nas páginas que pariu. Orgulho? Ah que belezinha de rima, tão, tão fácil e barata. Mas eu nunca quis vender. Que importa? Quem se importa. Eu devia ter apagado tudo quando tive oportunidade.
das outras vezes também tive o mesmo problema. Não consigo, já não sou mais apenas o que fui,mas continuo sendo . Por isso não é fácil rasgar papéis, ainda mais papéis carregados, pesados, carimbados.
Sei que falo no sentido figurado, mas se fosse de outro jeito acharia chato. Acho que foi o Rubem Braga que disse que a melhor coisa é escrever quando não se tem assunto nenhum. Como agora, nenhum assunto eu tenho, igual quando dois amigos falam, falam, terminam rindo e paira aquele silêncio que não constrange porque é bem vindo.Agora mesmo não tenho mais nada pra falar, mas me sinto numa quase obrigação, ou melhor uma necessidade pessoal de terminar falando sobre algum assunto por menos relevante que seja, não quero dormir sem dizer, o quanto eu queria ser feita
de plástico bolha, pronto é isso.
Pingo de gente
O homem debruça na pia,
A pia molha o homem.
Quanto mais debruça mais molha.
A água desce na pia
Pinga no chão, pinga pra todo lado.
O homem fica encharcado.
De novo o homem xinga
Xinga a água, xinga a pia.
Pinga gota à gota, a pinga no copo.
No corpo, não pia , não xinga
A água arde e desce
A pia para e espia.
À medida que a pinga some
O homem assobia.
A pia molha o homem.
Quanto mais debruça mais molha.
A água desce na pia
Pinga no chão, pinga pra todo lado.
O homem fica encharcado.
De novo o homem xinga
Xinga a água, xinga a pia.
Pinga gota à gota, a pinga no copo.
No corpo, não pia , não xinga
A água arde e desce
A pia para e espia.
À medida que a pinga some
O homem assobia.
você deveria estar fazendo algo melhor
Caminho no escuro
sou filha do futuro
meu pai não me viu nascer
tempo submerso na vazão da hora
me afundo num copo de coca-cola
transbordo até virar mar
transformo areia em ampulheta
rimo um caça-palavras inteiro
encontro um anagrama verdadeiro sobre o amor
mas nem todas as estradas vão me deixar em Roma.
Eu imaginava que os campos magnéticos pudessem salvar a fome de milhares de pessoas, mas lá nem flores radio-ativas nascem. O que nasce da vaidade é uma extensão de tomadas semi-automáticas...dão choque.
Mas nossa nação. não tem noção. da imensidão. que habita.
sou filha do futuro
meu pai não me viu nascer
tempo submerso na vazão da hora
me afundo num copo de coca-cola
transbordo até virar mar
transformo areia em ampulheta
rimo um caça-palavras inteiro
encontro um anagrama verdadeiro sobre o amor
mas nem todas as estradas vão me deixar em Roma.
Eu imaginava que os campos magnéticos pudessem salvar a fome de milhares de pessoas, mas lá nem flores radio-ativas nascem. O que nasce da vaidade é uma extensão de tomadas semi-automáticas...dão choque.
Mas nossa nação. não tem noção. da imensidão. que habita.
Nadaqueen
Sou real, pois tudo que me produz é material.
Nanquim, giz. Existem. Minha força de existência é forte
como uma pluma e leve como a consciência de um velho nostálgico. Tenho uma
vida, inventada. Mas quem não se inventa?
Nadando no nanquim
Descubro que o fim
Não tem rima.
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