Cubículo
Carteando
A gente escolhe onde queremos estar.
Sério? Eu não escolhi estar aqui. Nem você ai, nem ele ali, nem nós lá. Mas estamos, e sobrevivemos. Por quê? Porque precisamos, e somos adaptáveis, elásticos, feitos de borracha pra não molhar. Eu não queria ser adaptável, queria ser mais teimosa quem sabe estaria onde queria estar. Mas a verdade é que esses relatórios não param de chegar e o café na maquina de café acabou. Vou ter que colocar mais.

17 de algum Setembro.
A ratoqueira

oh ralooo do esgoto,
que passa e leva com ele todos os podres do mundo,
pobres seres enlatados ,
não sabem que tinham poderes.
A rala figura, tomava sopa
Rala, de frango, de legumes, de carne desfiada.
Sentia-se rala e queria se ralar pelo ralo.
Porque sua camisa era roída
Seu cabelo era raspado,
E seus pés sempre pisavam no raso.
Rápida foi sua vida
Assim toda rasgada
Sem reparo.
Assim não teve despedida
Não teve concerto
Nem como consertar.
Pro ralo rolou até rastejar com os ratos.
Por ali ficou riscando nas paredes, desenhos de giz.
Que nunca foram expostos numa galeria,
Mas encheram de cores e idéias as cabeças dos ratos.
Ana Julia C. Costa
Ensaio sobre mim mesmo

Ode ao Ócio
Cantam os gregos sentados no altar
“Me tragam pão e vinho” dizem sim
Acabam o manuscrito
E está feito mais uma filosofia que arrepia os cabelos da nuca
Sacraliza esses bens, que não te fazem bem nunca
Esqueceram de rimar as poesias
E concretizaram a língua
Na preguiça de se precisar
No medo de pensar
No ócio de amar
Quem nunca amou
No ócio quer estar
Quem nunca conquistou
Um sonho nesse mundo
Nem aqui ficou
Para ver derramar
Nada mais do que sentimento profundo
Que não se sabe mais tem
Ociante vida
Que
Não
Apetece
Nem zumbi, nem a mim nem a ti.
