Trovalinda
Gente estranha
Que fala pelos cutuvelos
E roe os dedos
Eu jogo quebra-medo
Eu faço trava-lingua
E você me ensina a beijar sem respirar
De baixo d´lua da rua da sua
lingua.
Você ouve minha trova
Você é meio medieval.
Eu sou sua suserana
E você meu cavalo de pau. Ana Júlia Carvalheiro
Cubículo
Carteando
A gente escolhe onde queremos estar.
Sério? Eu não escolhi estar aqui. Nem você ai, nem ele ali, nem nós lá. Mas estamos, e sobrevivemos. Por quê? Porque precisamos, e somos adaptáveis, elásticos, feitos de borracha pra não molhar. Eu não queria ser adaptável, queria ser mais teimosa quem sabe estaria onde queria estar. Mas a verdade é que esses relatórios não param de chegar e o café na maquina de café acabou. Vou ter que colocar mais.

17 de algum Setembro.
A ratoqueira

oh ralooo do esgoto,
que passa e leva com ele todos os podres do mundo,
pobres seres enlatados ,
não sabem que tinham poderes.
A rala figura, tomava sopa
Rala, de frango, de legumes, de carne desfiada.
Sentia-se rala e queria se ralar pelo ralo.
Porque sua camisa era roída
Seu cabelo era raspado,
E seus pés sempre pisavam no raso.
Rápida foi sua vida
Assim toda rasgada
Sem reparo.
Assim não teve despedida
Não teve concerto
Nem como consertar.
Pro ralo rolou até rastejar com os ratos.
Por ali ficou riscando nas paredes, desenhos de giz.
Que nunca foram expostos numa galeria,
Mas encheram de cores e idéias as cabeças dos ratos.
Ana Julia C. Costa
